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O Segredo do Poder


Por: George D. Watson

O segredo do poder de Deus no homem consiste na união do Espírito Santo com as faculdades e energias purificadas da alma humana e, do lado do homem, no abandono total de si mesmo e na genuína cooperação com o Espírito Santo. Não importa o grau de santidade que alguém possa ter, é necessário que esteja ligada nele uma corrente divina, tornando-o condutor de energia sobrenatural, vinda do próprio Deus.

Esse poder divino é um segredo desconhecido para o mundo, incompreendido por muitos dos mais eruditos e intelectuais, mal-entendido pela mente carnal, totalmente além do alcance de filósofos ou cientistas.

 

Vejamos algumas provas das Escrituras. Jesus tinha uma alma pura; desde a concepção, já era completamente livre da natureza caída de Adão. Assim, mesmo em sua natureza humana, era superior em força moral a todos os homens do mundo. Contudo, não foi pela força dessa natureza santa que realizou as obras do Pai. O poder que Jesus utilizou para operar milagres, pregar sermões, curar doenças, expulsar demônios e salvar os perdidos não era o poder de sua alma sem pecado, mas o poder que fluía do batismo do Espírito Santo sobre sua humanidade pura.

Isso pode ser visto claramente pelo próprio fato de a vida dele ser dividida em dois períodos distintos. Desde sua infância até o batismo no Jordão, ele viveu uma vida inteiramente santa, porém não realizou milagre algum. A partir do momento, porém, em que o Espírito Santo desceu sobre ele, passou a agir sob uma unção perpétua que fluía através dele, vinda do Espírito Santo. Daí o nome Cristo, ou Ungido. Assim, além de suas faculdades de criatura santa, Deus derramou nele a plenitude do Espírito. De acordo com a Escritura, depois que Jesus passou pela tentação no deserto, ele retornou à Galileia no poder do Espírito Santo (Lc 4.14). Voltar no “poder do Espírito Santo” implica que lhe foi dado um poder que não possuía antes, quando era apenas um homem sem pecado.

Agora, se Jesus precisou do Espírito Santo para unir-se à sua natureza de homem sem pecado e dar-lhe a chave especial de poder para sua missão, e se ele é o nosso exemplo, quanto maior é a nossa necessidade de ter o coração santificado e as faculdades mentais ligados em união vital com o Espírito Santo, para que, por meio dessa união, possamos realizar a obra de Deus! Não podemos, de forma alguma, depender de nós mesmos, nem de qualquer outra criatura ou quantidade de criaturas, por mais santas que sejam.

Quando a alma santificada está unida, intimamente, com o Espírito Santo, dessa união inefável flui o que a Bíblia chama de o poder de Deus. Portanto, o segredo do poder é deixar o Espírito Santo unir sua própria pessoa ao nosso homem interior, limpando-o, enchendo-o, inspirando-o, suprindo-o, de acordo com cada situação ou emergência, com sua luz, energia, sabedoria, coragem, tato e zelo sobrenaturais, a fim de podermos realizar a vontade e a obra de Deus. Esse poder é algo que Deus implanta no interior da pessoa, de tal modo que, mesmo não sabendo explicar, ela não se abate nem desmorona com a pressão de milhares de coisas que certamente a derrotariam em sua natureza humana, se dependesse apenas de si mesma.

A crucificação do ego

Uma condição essencial para a plenitude de poder espiritual é a crucificação do ego a fim de sermos unidos com o Espírito Santo. Deus não pode encher-nos com seu Espírito, iluminar-nos, dotar-nos com coragem e ousadia ou com percepção espiritual e energia divina enquanto não formos crucificados. Primeiro, devemos morrer para depois viver; precisamos reconhecer nossa inerente e total tolice humana a fim de receber sabedoria do alto; precisamos estar conscientes da nossa própria e indescritível fraqueza para podermos nos ligar ao poder de Deus. A sua força é aperfeiçoada exatamente no ponto em que a nossa fraqueza é total.

De acordo com o relato de Gênesis, quando Deus encontrou Jacó em Peniel e lutou com ele, a oração de Jacó prevaleceu exatamente no ponto em que ele foi totalmente vencido. Geralmente se diz que Jacó lutou com o anjo, mas a Palavra afirma que foi o homem que lutou com Jacó (Gn 32.24). Não esqueça que essa luta não era com um pecador endurecido, porque Jacó havia entrado na família de Deus vinte anos antes, na experiência que teve em Betel. O conflito aqui era entre a perfeita vontade de Deus e a perversidade natural de Jacó.

No princípio, Jacó pensou que estava lutando contra um simples homem. Não foi preciso lutar muito, porém, para descobrir que o homem era um anjo e, um pouco depois, que era mais do que um anjo qualquer – era o Príncipe dos Anjos. No fim, antes que a luta terminasse, ele descobriu que se tratava do próprio Deus. Assim, a pessoa que, no começo, parecia um simples homem, revelou-se como Jeová Elohim, o Senhor Todo-poderoso, ninguém menos do que o Senhor Jesus.

Quantas e quantas vezes isso é ilustrado na nossa experiência! Deus vem até nós disfarçado para conquistar-nos em pontos inesperados e de maneiras inesperadas. Ele luta contra nossa natureza na humilde armadura de uma pequena circunstância ou de uma pessoa despretensiosa, ocultando sua infinita majestade debaixo de uma aparência simples e comum de tal forma que nem sonhamos que possa ser Deus até o momento em que somos conquistados e desaparece o véu diante dos nossos olhos. Como Jacó, ficamos espantados por estarmos ali “face a face com Deus”.

O Senhor lutou com Jacó a fim de quebrar, completamente, toda resistência oculta que havia nele ao Espírito Santo, toda resistência latente à vontade e ao amor de Deus. E, quando viu que a luta estava ficando difícil e demorada, ele tocou a junta do quadril de Jacó e a deslocou.

A mesma coisa acontece conosco. Para podermos receber a força de Deus, a chave secreta do poder, Deus entra em luta conosco. Essa luta precisa continuar até que ele consiga quebrar totalmente a resistência que há em nós à sua vontade – não somente a resistência aberta, visível e consciente, mas toda resistência escondida e imperceptível que está embutida na nossa herança ou nos sentimentos e faculdades. Ele precisa atingir aquela sutil teimosia natural que a delicada natureza divina vê e sente, mas que nós não conseguimos detectar. Ele precisa nos quebrar justamente no ponto em que somos mais fortes, onde se encontra a fonte de nossa energia, esteja ela na cabeça, nas mãos ou no coração, esteja ela na mente, na nossa maneira de administrar as coisas ou no dinheiro, esteja ela na nossa educação ou no tipo de preconceito, desejo e afeto – em qualquer área em que nos achamos superiores ou em que se concentra mais ego e autoconfiança, é lá que o dedo de Deus precisa aplicar a faca, onde a última resistência precisa morrer a fim de que o Espírito Santo possa tornar-nos um só com ele, participantes de sua natureza e poder.

Paulo diz: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu…”(Gl 2.20). Em toda a Palavra de Deus, vemos que a crucificação precede o verdadeiro poder espiritual. Não somente é necessário que Deus derrube os hábitos e vícios de um pecador para convertê-lo, mas, naqueles que já foram regenerados, ele também precisa quebrar sua sabedoria, justiça e experiência, seu conhecimento e treinamento eclesiástico, seus preconceitos e sectarismo. Para Deus quebrar a justiça própria de um homem cristão, é tão difícil quanto quebrar a injustiça de um pecador. Não pense que estou dizendo que Deus vai derrubar sua própria sabedoria, justiça ou poder; a única coisa que ele quer quebrar é o tipo de sabedoria, justiça e força que é gerado e nutrido pela natureza humana. Tudo o que se origina no ego, na natureza da criatura precisa ser crucificado a fim de que a criatura possa se unir a Cristo por meio do Espírito Santo. É dessa união espiritual e vital que é gerado outro tipo de sabedoria, justiça e força, infinitamente superior ao que é produzido por uma criatura. Precisamos fazer morrer não somente a natureza ímpia, mas, também, a natureza que tem aparência boa, para podermos ser habitados e possuídos pelo Espírito de Deus.

Insignificância própria

Outro segredo do poder espiritual é sempre ignorar nossa capacidade natural como criatura. Não estou dizendo que devemos negar nossa capacidade. Falar uma inverdade não ajuda Deus em nada, quer seja contra nós mesmos ou contra Satanás, e afirmar que não somos nada, no sentido absoluto da palavra, não é bíblico.

O que estou dizendo é que o segredo do poder está em ignorar nossa capacidade natural como base suficiente para o sucesso. Na esfera das criaturas, nossa habilidade natural pode até valer alguma coisa, mas no reino da graça divina, na esfera em que os milagres espirituais são realizados, podemos ser eficientes nas mãos de Deus somente quando desprezamos completamente a própria suficiência. É nesse sentido que se encaixam diversas expressões bíblicas que descrevem a natureza humana como “pó e cinza”, um “vaso quebrado”, “os coxos repartindo a presa”, “o menor de todos”, “ainda que nada sou”, “escolheu as coisas fracas do mundo, [...] e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são”.

Devemos nos colocar nas mãos de Deus sem confiar na própria força. Abandonemo-nos a nós mesmos, por completo, ao Espírito de Deus e, ao mesmo tempo, desprezemos totalmente qualquer força, sabedoria ou bondade que sejam nossas como criaturas.

Permita-me dar um exemplo. José foi maravilhosamente santificado durante o período que passou na prisão. Aprendemos no Salmo 105.19 que naquele lugar “a palavra do Senhor o provou”, de tal maneira que seu caráter foi profundamente mudado. Quando o faraó mandou chamá-lo, os servos se apressaram, barbearam-no e trocaram suas roupas de prisão, para levá-lo sem demora diante do rei.

O rei, então, lhe disse: “Ouvi dizer a teu respeito que, quando ouves um sonho, podes interpretá-lo”. Na resposta de José para o rei, ele revela seu segredo de poder: “Não está isso em mim” (Gn 41.16). Embora tivesse capacidade e talento muito acima da maioria de seus pares, ele sabia que a interpretação do sonho do rei era um segredo divino com um propósito divino, e que estava muito além do alcance de qualquer mente humana não inspirada. Por isso, renunciou completamente qualquer capacidade própria.

Então, ele disse: “Deus dará resposta favorável a Faraó”. Que imensidão de significado há nesta palavra: “Deus dará!” Assim, apoiando-se no Espírito Santo e renunciando qualquer autoconfiança, em total abandono à vontade divina, José recebeu de Deus a interpretação. E ele deu ao faraó a interpretação exatamente como Deus lhe concedera. Ele não tinha a interpretação antes de chegar à presença do rei; ele a recebeu ali mesmo, naquele instante, porque Deus derramou nele uma corrente de luz e discernimento. Ele havia morrido para a confiança em sua sabedoria natural, e todo o seu ser estava em tal atitude de dependência que Deus pôde habilitá-lo a falar. Ele não era uma bateria que armazena energia, mas um fio que conduz a corrente.

Quando ele terminou de transmitir a interpretação, o rei disse: “O Espírito de Deus está em José”. Aquele rei pagão viu uma luz e um poder sobrenaturais naquele pobre prisioneiro que superou todos os sábios do Egito.

Ali está o poder secreto, um poder que convenceu um rei idólatra, um poder que penetrou todas as defesas de sua natureza pagã e o fez adotar a estratégia fornecida por um ex-condenado e, assim, imortalizar seu nome para sempre.

Podemos usar, também, o exemplo dos apóstolos, quando, por meio deles, foi curado um paralítico na Porta Formosa do templo. Quando a multidão olhou para eles como se fossem semideuses, Pedro lhes disse: “Por que estão olhando para nós, como se por nossa virtude ou santidade tivéssemos feito este homem andar? É pelo nome de Jesus, pela fé em seu nome, que este homem foi curado diante dos seus olhos” (veja Atos 3).

Em toda a Palavra de Deus, o segredo do poder é: “confia no Senhor de todo o teu coração, e não te estribes no teu próprio entendimento” (Pv 3.5). Observe que não é meramente deixar de depender do próprio entendimento, mas nem mesmo se apoiar ou se inclinar em direção a ele. Estamos sempre tão prontos a nos apoiar na própria experiência, como se sabedoria e unção fossem forças que pudessem ser armazenadas em nossas faculdades. Um homem que prega há vários anos terá a tendência de se apoiar nos velhos sermões e esboços, e alguém que está na obra do Senhor por algum tempo pensará que pode se apoiar nos métodos que já deram certo.

Existe, é claro, um sentido em que podemos adquirir sabedoria, facilidade e fluência. O homem que vive constantemente a serviço de Deus, pregando, exortando e ensinando, adquire experiência, de fato, torna-se capacitado no exercício dos dons e no discernimento de tempo e de situações. Do ponto de vista natural, o uso habilidoso de dons e de conhecimento tem valor considerável.

Entretanto, estou falando agora a respeito do segredo do poder divino, não do segredo do poder natural. O segredo do poder divino é que, apesar de tudo o que aprendemos, de toda habilidade e experiência adquiridas, jamais podemos confiar em tais depósitos. Nunca podemos sacar um cheque dessas contas a fim de obter sucesso, mas considerá-las apenas como o pó que Deus usou para fazer o corpo do homem.

Se quisermos ser servos nas mãos de Deus e continuar no caminho do poder, teremos de nos manter neste caminho de desprezar a capacidade natural e depender em todo o tempo, em cada ocasião, como se fosse a primeira vez, do dom do Espírito.

Oh, se pudéssemos simplesmente nos lembrar de como realmente somos. Lembrar que não somos nada, que somos vazios e fracos; lembrar da nossa atitude para com Deus e a sua obra. Deus concede unção, não como se fosse um reservatório, mas como um regato; não como uma fonte, mas como uma corrente; não como uma bateria, mas como uma transmissão. Num reservatório, a água está represada, mas, num canal, está num fluxo permanente. Da mesma forma, o coração santificado, agindo pelo poder do Espírito Santo, é mais semelhante a um fio, ao longo do qual a faísca pode brilhar a qualquer momento, do que a uma bateria que armazena eletricidade. Muitos obreiros cristãos perderam o poder por se considerarem, inconscientemente, como um reservatório.

Precisamos nos manter nesse ponto de desconsiderar a própria capacidade e, ao mesmo tempo, de buscar suficiência somente em Deus. Isso é tão real quanto o fato de que a luz do sol precisa ser recebida hoje, não servindo para isso a luz que recebemos ontem.

Entregue a Obra para Deus

Se quisermos ter o segredo permanente do poder, precisamos consentir em experimentar aparente fracasso para Jesus. Não sei se isso vai chocá-lo, mas se observar os grandes acontecimentos de crise na Bíblia e na vida das pessoas de grande fé, você descobrirá, vez após vez, que a vinda de poder dependia da plena disposição de ser visto como fracasso total aos olhos do mundo. Aqueles que trabalham com Deus não podem ser fracassos do ponto de vista dele, mas há ocasiões em que, da nossa perspectiva, sentimos que tudo deu completamente errado. Ao aceitarmos em silêncio esse aparente fracasso, por amor a Jesus, as portas de oportunidade, do lado da vida natural, se fecham enquanto, ao mesmo tempo, as válvulas do lado divino se abrem para o influxo da energia que move o universo.

É muito fácil, até para o coração santificado, ficar ligado à obra em que está envolvido e desejar que ela seja bem-sucedida como uma obra própria. É muito fácil para pessoas dedicadas que dirigem reuniões de acampamento, convenções, grupos caseiros, missões ou qualquer espécie de empreendimento espiritual ou filantrópica ficarem muito apegadas ao próprio empreendimento e nutrirem um desejo vaidoso por sucesso. Uma análise mais minuciosa do coração vai revelar que, em geral, colocamos a nossa própria ambição na obra, e o Espírito Santo que sonda todas as motivações, revela o terrível segredo de que, em última análise, é o ego humano que anseia por sucesso. Agora, para toda a glória ser dada a Deus, ele terá de macular a bela face do sucesso aparente e fazer com que morramos para nosso próprio sucesso na obra. Só assim é que ele poderá obter resultados muito maiores do que imaginávamos nos nossos maiores sonhos. Jesus não quer nos ver mais apaixonados pela obra dele do que por ele próprio.

O homem que nunca sente que tem do que se orgulhar no seu trabalho, mas considera que sua obra nada representa em termos de crédito para si mesmo, é aquele que estará sempre disposto a ser visto como fracasso aos olhos dos homens. Leia a história dos grandes empreendimentos de fé, tais como os que foram feitos por Lutero, o orfanato de George Muller ou o trabalho do Bispo Taylor na Índia e na África. Veja como, em milhares de ocasiões na vida desses homens, eles tiveram de ser considerados fracassos aos olhos não somente do mundo, mas também de filósofos, igrejas, ministros e clérigos renomados. Observe suas lutas sozinhos em oração, suas sublimes mas solitárias convicções, as elevadas visões que ninguém mais conseguia enxergar. Veja como ultrapassaram os legisladores na sua própria lei, sobrepujaram professores universitários no seu ensino, eclipsaram banqueiros terrenos na administração do dinheiro e envergonharam a ineficácia, a inércia e a incredulidade da maioria dos cristãos nominais ao seu redor. Note como, pelo alvo de alcançar tais resultados grandiosos, tiveram de se humilhar a todo tempo no pó, recebendo críticas, reações frias e desprezo da parte de quem esperavam ajuda.

Posso dar dois exemplos das Escrituras. Ester foi instruída por Mordecai a tomar uma decisão ousada para salvar os judeus. Em resposta, ela disse: “Se eu fizer isso, posso morrer”. Mesmo assim, porém, ela aceitou o desafio, dizendo: “se perecer, pereci” (Et 4.16). Essa disposição de coração de morrer e ser enterrada em desgraça, se necessário, foi a chave que destravou a porta da prisão e libertou uma nação inteira. Ali estava o segredo do poder.

Quando o grande monarca da Babilônia repreendeu os três hebreus por não adorarem a sua imagem, eles responderam firmemente: “Fica sabendo, ó rei, que não adoraremos a tua imagem. O nosso Deus, a quem servimos, é capaz de livrar-nos da fornalha de fogo ardente; contudo, se não nos livrar, mesmo assim não adoraremos a tua estátua” (Dn 3.17-18). O segredo do poder está na expressão “mas se não”. Se vivermos pela fé e andarmos com Deus, haverá muitas ocasiões em que testes semelhantes nos confrontarão, com fornalhas ardentes para a nossa destruição. Para podermos passar pela fornalha sem nos queimar, precisamos carregar esse “mas se não” no nosso coração. O valor real de qualquer obra que fizermos para Deus poderá ser avaliado pelo número de dificuldades que encontramos pelo caminho ou pelo esforço que Satanás faz para destruir aquilo que já foi realizado.

No livro de Apocalipse, Satanás ficou atento, esperando para devorar o filho varão assim que nascesse. É isso o que acontece com toda verdadeira obra de Deus. Se você recebe uma grande bênção do Espírito Santo, Satanás logo tentará destruí-la ou pervertê-la. Se houve um acampamento maravilhoso, uma convenção, um avivamento, Satanás encontrará instrumentos humanos, muitas vezes dentro da própria igreja, para destruir ou reprimir a obra de graça, se possível. Em tais ocasiões, o verdadeiro servo de Deus deve aceitar o aparente fracasso do seu trabalho e, ao mesmo tempo, continuar trabalhando e entregar a obra ao cuidado absoluto de Deus.

Reconheça a Presença do Espírito Santo

O último pensamento que queremos dar em relação ao segredo do poder é que devemos reconhecer constantemente a presença do Espírito Santo. Há uma chave maravilhosa de força quando reconhecemos a presença divina em nós e na obra que Deus nos chamou para fazer. “(Moisés) permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível” (Hb 11.27). “A minha presença irá contigo, e eu te darei descanso” (Ex 33.14). Cada vez que vamos a uma reunião, ou falamos com uma pessoa, ou oramos, ou cantamos, ou trabalhamos para Deus, se naquele instante reconhecermos que o Espírito Santo está em nós e conosco, ele não só será a fonte da nossa inspiração, mas o ato de fé que Deus honra com sucesso. Não estou dizendo que não devemos orar pela presença do Espírito Santo, para que ele venha sobre nós e a Palavra, mas que, tendo orado no nome de Jesus, devemos crer que a oração já foi respondida.

Esquecer da presença de Deus, considerar que ele está distante é nos desligar da fonte de poder e permitir que nosso espírito desmorone. Mas, no momento em que, consciente e claramente percebermos que Deus está presente, que o Espírito, o Consolador está neste lugar e que ele está pronto e disposto a agir por meu intermédio para destruir fortalezas – que diferença isso fará em nossas palavras, orações e cânticos!

Haverá uma liberdade, uma unção, uma alegria que nada mais poderia inspirar. “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.20). Não me importa quão pobre ou doente ou fraco você esteja, no momento em que sua alma percebe claramente a verdade eterna do fato, “estou convosco todos os dias…”, uma fonte secreta de poder estará aberta dentro do seu coração que está acima de qualquer eloquência ou magnetismo, porque ela é a fonte de toda eloquência e magnetismo. Esse é o único poder que está à altura dos propósitos do Evangelho.

É sobremodo maravilhoso como Deus pode usar aquilo que é extremamente fraco e debilitado para sua glória, especialmente quando nos empenhamos, não em favor do nosso próprio salário ou fama, mas para a glória do nome de Jesus, plenamente dispostos a ser amados e honrados somente por Deus. Quando o Senhor se agrada de nos usar em qualquer obra, o melhor que podemos fazer é entregá-la de volta a Deus, assim que o fizermos, e cair de volta à nossa pequenez e insignificância natural, para descansar em Deus.

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